top of page

Sóbrio

  • Foto do escritor: Eduardo Henrique
    Eduardo Henrique
  • 7 de jul. de 2023
  • 1 min de leitura

Atualizado: 6 de mar. de 2024



Versão Clássica

Sóbrio em mim, o embate sem amparo,

Na rua, eu durmo, num mundo vil e frio.

Com ratos bebo, num cálice sombrio,

Esqueço tudo, até meu próprio faro.


Sentimentos que vagueiam, meu caro,

Tão críveis, ora risos, ora vazio.

Me tira um sorriso, esse teu cheiro macio,

Mas parto, no desejo, para além do avaro.


Ah, como queria partir deste mundo,

Deixar-te, esquecer de mim, do tudo.

Mudar-me à lua, num outro segundo.


Mas como luz amarela, continuo aqui,

Na escuridão dos bares, onde me inundo,

Entre sombras e garrafas, apenas eu e ti.



Versão Moderna

Cheguei às vias de fato

Comigo mesmo, ébrio

E, afim de cessar o ato

Vesti meu sorriso sóbrio

Um homem laboratório

Dormindo na rua

Bebendo com ratos

Deixando lado você e os fatos

Meus sentimentos ambulatórios

Por vezes tão críveis, outras tão risórios

Que me tiram um sorriso d’minha cara nua

Quando me lembram do cheiro da pele tua

Como queria eu deixar este mundo

Esquecer de todos, de ti, de tudo

Mudar pra outro país, que seja, a lua

Mas, como a luz amarela, continuo aqui

Iluminando cadeiras plásticas, vermelhas

Os vidros das garrafas e garrafas de cervejas

O chão do bar e aquilo que em mim conflua...

Continuo aqui, como a luz do poste da nossa rua.

Comentários


Zona Autônoma Temporária, Escrita Surrealista

©2023 por Zona Autônoma Temporária, Escrita Surrealista.

  • Instagram
  • LinkedIn
bottom of page