Cores
- Eduardo Henrique

- 1 de abr. de 2024
- 1 min de leitura
Quando, hora meia e meia, se cobriram as estrelas com o gélido manto negro do universo, em abençoado descanso, abriram, mais uma vez, os olhos para ver o sol nascer. De plateia atenta, sua líquida superfície dançava e dançava, ora ocre, ora brasil, mostrando suas manchas e anéis amarelos, gigantescos e ínfimos movimentos perfeitos, tão, tão belos... Abaixo, em algum lugar de um índigo planeta, transformava o celeste em rosa, malva, coral, conforme juntavam-se a dança da nascente as nuvens e, com seus trovões em ensemble, distantes, polvilhavam de brancos os olhos de um alguém atento ao espetáculo. O Sol que esquenta, usual, trouxe consigo a brisa que gela, que nos invade os alvéolos e transforma o hálito em fumaça de alcatrão. Gradual, abrem-se nos prédios as janelas, assam-se nos fornos da padaria os pães e bolos, aperto na camisa o último botão, amarro os sapatos, entrelaço os cordões, parto e aguardo, outra vez, a diária visão.




Comentários