O Eco da Normalidade
- Eduardo Henrique

- 11 de jul. de 2023
- 1 min de leitura
Todos esses momentos obscuros e bizarros
Nós dois, crianças espírito-famintas
O vazio do esquecimento, no abismo eterno
A sujeira das lembranças e os fragmentos dispersos
Pedra e pena, elementos em caótica harmonia
Que da balança surreal mexem os ponteiros, lentos
Calculam a importância fugaz de uma vida
Seus eventos trágicos, sonhos e tormentos
Eu só queria, sem desoladores lamentos
Que esses tristes desgovernados pensamentos
Barulhentos, agourentos, não distorcessem a realidade
Não ritmassem meu coração, seus batimentos espiralados
Então, assim, mudanças irreais se propagam
Em nossa casa, no muro, lanças distorcidas
Que nos trazem segurança irreal, ilusões
Me protegem do mundo insano, das máscaras perdidas
Te protegem de mim, dos abismos que te cercam
Das desconfianças vazias que nos sufocam
Eu não sei o que fazer, nem mais o que rimar
Esqueci o que sentir, a essência que pretendia falar
Eu não sei fazer poemas, sou um eco sem ruído
Não sei mais fazer poesias, sou um vazio a vagar
Eu só sei que (não) sei chorar um dilúvio de silêncio
Não porque eu não queira - o desejo é uma ferida aberta
Não tem nada que quis tanto em vida, em sonhos perdidos
Mas sim pois não consigo, preso na gaiola da normalidade
Nunca me foi ensinado, nunca me foi permitido
Onde nasci, à todas as crianças, só se foi garantido
O direito de calar, de engolir a poesia e buscar liberdade.




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