Longe Longe Longas Longo Longe Longo
- Eduardo Henrique

- 27 de mar. de 2024
- 1 min de leitura
De longe, enquanto ia eu mesmo para mais longe ainda, os raios da lua trouxeram aos meus olhos longas segundas intenções que me despertaram, em longo abraço, assustado, longe, no último banco daquele longo ônibus. De cabeça na janela, vi o motorista fumando, quieto, seu cigarro. Recostado em um muro, sorvia a fumaça e, de olhos vazios, fitava o céu. Dentro do veículo, só minha presença existia e, por existir, condensava o ar gelado que escorria pelas frestas de metal. De brasa no chão, o homem pisou na bituca acesa e foi em direção à porta dianteira, aberta. Entrou e me viu. Anunciou que estávamos na última parada e que, caso quisesse, poderia me levar até a garagem da empresa, caso ficasse mais perto de minha casa. Ponderei comigo, enquanto agradecia a gentileza, e perguntei aonde ficava tal local. “Longe”, foi a resposta que recebi. Assenti com a cabeça e arrumei as costas no acento: “É, é praí que eu vou”. De luzes apagadas, prosseguimos enquanto, pela janela, vi passar todas as ruas que um dia já conheci, que outrora caminhei, contemplei, chamar-me-ei de lar e que, outro-outrora jurei não ficar longe.




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