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O amor que transforma em diamante as lagrimas dos anjos

  • Foto do escritor: Eduardo Henrique
    Eduardo Henrique
  • 6 de nov. de 2023
  • 2 min de leitura

No começo do tempo, quando o céu desabou sobre minha mente, os anjos choraram. De raiva ou inveja – nunca de tristeza -, choraram, pois, te conheci. O começo do tempo, do meu tempo, do nosso tempo, o começo de tudo. Sem aval de quem quer fosse, homem ou deus, santo ou diabo. Fútil. Reduzido às minhas próprias entranhas, senti amor. Aquela máquina de horrenda tortura e beleza. Ambas cousas de igual potência. O céu chorou com os anjos quando sentiram em meus olhos você. Sete trombetas entoaram o canto enquanto turvavam-se negras as nuvens e nosso magnetismo se tornava elétrico, palpável através dos pelos de nossos braços. Os anjos choraram.

Seis deles – os maiores, mais serenos e belos – com seus seis pares de asas, trouxeram em seus braços a manta vermelha que estenderam, solenemente, de fronte aos teus pés. De mãos dadas, caminhamos por aquelas obsidianas nuvens. Para onde? Como saberíamos, afinal? O que importa, afinal? Afinal, eu te amo. Tu dizes que me amas. O que importa? Verdade e mentira. A lua clara e seu lado sempiternamente escuro. A mesma coisa, a mesma rocha. O mesmo lugar que, um dia, edificaremos nossa criação, sentimento e linhagem. Correremos sobre suas planícies como brancos cavalos selvagens recém chegados à uma praia paradisíaca. Brincaremos. Riremos. Sofreremos. Sempre. Tudo. Mas juntos. O que mais importa?

Você se importa comigo? Eu me importo contigo? Não e não. Pronomes pessoais oblíquos e átonos. Objetos indiretos. Não somos nada disso. Somos nós. Caso puro. Caso reto. Três letras. Duas pessoas. Formais e corteses. Nois. Informais e chulos – a depender da situação. Saber sair e saber chegar – sempre cumprimos esta máxima com maestria. Nos becos do centro, nos bares do Copan. Numa sala de leitura, biblioteca ou nos clichês óperas e sinfônicas. É tudo nosso. Sempre foi nosso. Sempre será nosso.

Não há força que tire de mim o amor que sinto por você. Não há força que tire de mim a necessidade de amor que sinto por você. Noites e noites pela metrópole. Noites e noites em seu quarto. Nós não brincamos. Nós amamos. Fingimos ser felizes e acabamos por acreditar. Fingimos ser tristes e acabamos por desacreditar. Fingimos que brincamos de amar – mas sempre amando. Que os vizinhos olhem nossa janela e resolvam se divorciar. Que os médicos abram nosso coração e desistam de sua profissão. Que nossos dedos se entrelacem. Que nossos corações se embaracem. Que meu corpo se funda, em nó, ao teu. Que sejamos, para sempre, essa palavra tão simples e bela – mas tão cheia de significado. Que o que sentimos seja para sempre nós.

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Zona Autônoma Temporária, Escrita Surrealista

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