Neologismos do Coração
- Eduardo Henrique

- 29 de mai. de 2023
- 2 min de leitura
"Este é um texto experimental. Nele tento, de alguma forma, descrever a experiência de um infarto. Eu o fiz, antes, da forma convencional. Mas as palavras não conversaram comigo, não me deram ritmo. Deixaram de ser suficiente. Não fizeram jus ao surreal absurdo que é a existência e expiração da vida. Então criei o que abaixo aqui está." - O Autor.
Versão com estrutura sintática vanguardista: Pulsílabo. Regolar. Serejado. A vida incarna em compasso retimado. Aspirocriso. Expirinto. Inspirutriar. O ritmo turboacelera. O sangue corracebado nas vênulas frenéticas. Coracorre. Silêncinado. O quidápice? O tamborelembra. Quãorápido? Quãomáximo? Espiraturbombardeio. Cada pulsavito desnovava e desportava a luzíndrome. Trovoensalveio eternáfago do torácexplosão. O mundo se mignonizava avatantista. O aérseautosse evaninhava de mimnidade. Nonageuro. Silêncinada. A percussão esmoçava o meloméssimo. Bagunresta. Uma fragmitiada eternensão. Silêncinada. Falhebra. A pulvícula abaixava. Tudo celirava. O urmote vemite no vaziocorposo.
Segurovo com o sâmago. O ritmorbo. Presomo, na palmarcentrada. Para etéreo. Volvetra. Em pontície, uma cadeilonga, uma gaiolixada. Enflorada, penducaindante. Quedesso sempiternada num aurocéu douriazul. Desarrepente. Até o rampalâmico final, voaquipela. Escorreu, infantoide, pelo colorcoirris. Madeirba. Um casulozo liso, sinmoda adolinda. Comungum. Tosquebro meio aprisiongolido pelo terravermeiço. Meutesouro. Meutesação.
Versão com estrutura sintática regular:
Pulso. Regular. Sereno. A vida pulsa em compasso estável. Aspiro. Expiro. Inspiro. O ritmo acelera. O sangue corre frenético nas veias. Coração corre. Silêncio. O que houve? O tambor volta. Quão mais rápido? Quão mais alto? Turbilhão súbito. Cada batida trazia e levava a luz. Trovões que fotografam a explosão toráxica. O mundo se encolhe adiante. O ar de dissipa em si mesmo e vai-se embora de mim. Não aguento. Silêncio. A percussão perde o ritmo. Bagunça. Uma fração de segundo que se estende, eterna. Silêncio. Falha. A poeira abaixa. Tudo para. O último bumbo ecoa no meu corpo vazio.
Seguro com a alma. O ritmo. Preso, em minhas mãos. Para sempre. Volta. Aos poucos, uma cadeia, uma gaiola. Enfeitada, pendurada. Caindo sempiterna em um céu azul dourado. Desaba. Até o final da rampa colorida, voa. Escorrega, como criança, pelo arco-íris. Madeira. Um caixão liso, sem enfeites. Comum. Toscamente meio engolido pela terra vermelha. Meu tesouro. Meu coração.




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