Cobertor de Lã
- Eduardo Henrique

- 19 de mar. de 2022
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São três e meia da manhã
Quase fim de ano
Te escrevo agora para saber
Se já me esqueceu
Se pode me devolver
Aquele nosso cobertor de lã
Nesses três anos que flutuaram
Pra longe dos meus dedos
Tal como ti
Olha, eu não sei nem
O que te dizer
O que e para que contar
Mas noite passada eu dormi
- em outro cobertor de lã -
E sonhei que alguém me amava
Que você voltava, me abraçava
Que a mulher ali deitada era ti
Que sua risada mais uma vez ouvi
Olha, eu não sei nem
O que fazer
Quando e para que fazer
Sem você aqui, comigo
Estou caindo, sempre
Num vazio infinito
E quando olho para cima
Só consigo ver teu rosto, lindo
Se afastando cada vez mais
Observando lá do alto, sorrindo
A última memória que tive e terei
O que pensei ao dormir e quando acordei
Você, o começo e o fim
De tudo e todos, da minha felicidade
Da minha tristeza, da saudade
O que faz aí, tão longe de mim?
Me diga, uma vez, que não estás bem
Que não aguenta, também, a solidão sem fim
Me diga o que nunca teve coragem - que me quer
Que me precisa e me procura, que flutuando
Nas alturas, seu maior desejo é cair, Ícaro
Pois o sol que queima tuas asas, aqui
Nos meus braços, não lhe fará mal
Pois, longe de ti, só a sombra me alcança.




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