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Como?

  • Foto do escritor: Eduardo Henrique
    Eduardo Henrique
  • 17 de abr. de 2023
  • 2 min de leitura

Atualizado: 18 de jan. de 2024


                Se não existem mais grandes amores, como sinto minha vida ser abortada toda vez que não vejo tua mão segurando a minha? Se não existem mais almas gêmeas, como dói meu peito toda vez que vejo o pôr-do-sol? Se não me amaldiçoaram com a sorte de um amor de verdade, por que a levaram pra tão, tão longe de mim?

                Digo isso sem nem ao mesmo saber onde estás. Suponho que, de fato, em algum lugar com sol. Com praias de areia branca, catando conchas à beira-mar-do-oblívio. Espero que estejas vivendo a vida tranquila que planejamos para nós. Que o sol que se põe seja tão bonito quanto o que vimos aquele dia. No horizonte, deitando-se, rosa e laranja, por dentre o topo dos prédios. Espero que a lua que chega seja tão clara e gelada quanto a que nos guiou e guardou pela cidade àquela noite enquanto alimentavamos gatos órfãos.

                Já passei por todas as fases. Já amei o amor, já odiei o amor. Já dei risadas felizes com ele, já dei risadas maníaco-depressivas com ele. Por vezes e vezes deitamo-nos e transamos. Por mais vezes ainda, cada um virou pro seu lado e dormiu sem beijos de boa noite. Quantas e quantas vezes o vi vestir aquele vestido amarelo, de costas pra mim, e, por orgulho, não consegui expressar o quanto é lindo? Por quantas vezes me senti pequeno em sua presença? Por quantas vezes fez o amor me sentir o dono do mundo?

                Que o universo, algum dia, me transforme em uma palmeira. Quero te ver caminhando pela areia, descansando sob minha sombra e bebendo a água de meus frutos. Prometo não cair sobre sua cabeça se prometer não cortar meu tronco. Ainda assim, por amor, se o fizer, prometo me transformar na cabana mais segura da praia. Não haverá chuva que permitirei que caia sob sua cabeça. Não há vento que permitirei que te congele enquanto dormes dentro de mim. Sou teu desde que nasci. Para você desde o dia que te conheci.  

                Dentre todas os bilhões de almas que por esta terra caminham. Dentre todos os outros bilhões que viraram adubo debaixo da terra. Dentre tudo, dentre todos, dei a sorte de te conhecer e o azar de te amar. Como não acreditar no amor, se sua falta tanto me machuca? Como não acreditar que um dia já amei, se, sem ti, me sinto tão morto? Como não acreditar no amor se, por um momento que fosse, pudesse ficar à sós com ele, daria de bom grado todos os dias que ainda me restam? Como deixar de acreditar na única coisa que vale a pena morrer?

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