Vida Real
- Eduardo Henrique

- 29 de jun. de 2022
- 1 min de leitura
Banal, visceral, imoral
Uma vida inteira
Cabal, braçal, igual
Vivida em desperdício
Sem ideal, animal, mal
Arrancada de meu peito
Brutal, mortal, letal
Sozinho, sem tratamento
Igual, gradual, geral...
Mas eu ainda acredito
Na enchente pluvial
Que afogará o banal
Que trará o grande funeral
De todo o factual
Do acontecido, do vital
Que transformará em cristal
Minha amada, meu amor, casual
A chuva ácida cairá, letal
Nas praias das ondas sem sal
Que escondem o vale abismal
Submerso, vazio, abissal
Onde repousa meu coração irreal
Eu acreditei, acredito, afinal
No belo, no triste, no ideal
Pois não há nada mais surreal
Que a vida real.




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