Meu rosto
- Eduardo Henrique

- 25 de jul. de 2022
- 1 min de leitura
Faz não sei quantos anos
Que não te vejo mas te sinto
Que, de pessoa pra pessoa, minto
Que você nunca existiu, que nos afastamos
Dói a lembrança, doem as palavras indo
Costuradas, sozinhas, na coleção de panos
Que vou bordando, rosas e crisântemos
Que desenham nosso - meu - jardim, lindo
Mas a tinta escorre enquanto vou lavando
Na máquina de lavar de meu rosto faminto
Tudo o que um dia já foi vai me deixando
Quando os tiro de lá me sobra o branco
Cinco tiras quadradas de puro sofrimento
Me sento, seco meu rosto, lágrimas, e lamento.




Comentários